O método sociolinguístico implementado por Paulo Freire é
bastante produtivo, pois, além de usar palavras geradoras do cotidiano do
aluno, abre uma visão para que ele possa opinar e debater determinado assunto.
Embora o método tenha uma sequência de passos a serem desenvolvidos, eles não
constituem um molde que impede o aprendiz de refletir livremente sobre o objeto
de conhecimento. O método é desenvolvido em quatro etapas:
1°
passo: “codificação”
É o momento em que é dado ao aprendiz o direito à vez e à
voz. Momento em que o professor dá liberdade do aluno expressar sua opinião,
ele vai se sentir importante, motivado a prender e descobrir coisas novas. O
professor representa a palavra geradora pelo desenho, gestos, músicas e outros
códigos que o alfabetizando já domina.
2º
passo: “descodificação”
O
docente questiona os alunos para que reflitam sobre a palavra geradora e
cresçam criticamente. Apresenta textos em variados suportes, letras de músicas,
poesia, rótulos, jornais, revistas, para o estudo de palavras inteiras e de
suas letras iniciais, mediais e finais; dominós associando letras a imagens.
Até mesmo a representação do alfabeto no quadro e questionando os alunos qual é
a letra, mas nunca perguntar as letras em ordem e sim pelo meio e de trás para
frente. Pois dessa forma evita que o aluno apenas decore as letras.
3º
passo: “Análise e Síntese da Palavra Geradora”
Nessa
parte o docente apresenta as famílias silábicas, mostrando que a palavra
geradora é formada por pedaços de letras, e que esses pedaços são chamados de
sílabas e que cada sílaba da palavra representa a família do nosso alfabeto.
Paulo Freire deixa claro que, a representação das famílias silábicas deve ser
escrita de forma misturada e não em ordem alfabética, dessa forma o professor
sabe se a criança realmente aprendeu ou não as famílias silábicas.
4º
passo: “Fixação da Leitura e Escrita”
Faz-se
a revisão da análise das sílabas da palavra. Leitura e escrita das palavras
compostas na síntese das sílabas; atividades de ditado de palavra e frases;
caça-palavras; palavras cruzadas; transposição oral e escrita do dialeto do
aluno para o dialeto padrão; interpretação; produção de textos e significados.
Pedir para que o aluno escreva a palavra geradora em letra maiúscula, minúscula
e manuscrita para que assim ele possa compreender as diferentes formas do nosso
alfabeto.
Ao
aplicarem-se estas etapas em sala de aula deve-se observar o desenvolvimento de
cada aluno, se ele encontra-se no nível pré-silábico, silábico ou alfabético.
ü Pré-silábico:
objetivam explorar a relação som/grafia a fim de auxiliar o educando a fixar
que letra representa qual som. Em rótulos de embalagem, por exemplo, pedir para
que o aluno aponte onde está o nome NESCAU, qual letra inicia e qual letra
termina o nome?
ü Silábico:
Mostrar para os alunos que grafam apenas uma letra para cada sílaba pronunciada
que, na maioria das vezes registrarmos apenas uma letra não será suficiente
para escrever o que se quer. EX: (GO para GATO).
ü Alfabético:
Aproximação
da leitura e da escrita significativas.
Diante do que
observamos em nossa vida acadêmica, percebemos que vale a pena mudar e
trabalhar de uma forma mais lenta e que se obtenha resultado. Trabalhar com os
métodos de Paulo Freire, Emília Ferreiro e Ana Teberosky, possibilita que o
aluno tenha um pensamento crítico sobre as coisas e que sejam seres importantes
diante da sociedade. Pois, o que importa na educação não é a nota final do ano
letivo e sim o conhecimento adquirido por cada aluno.