quarta-feira, 1 de julho de 2015

Alfabetização: Método Sociolinguístico


            O método sociolinguístico implementado por Paulo Freire é bastante produtivo, pois, além de usar palavras geradoras do cotidiano do aluno, abre uma visão para que ele possa opinar e debater determinado assunto. Embora o método tenha uma sequência de passos a serem desenvolvidos, eles não constituem um molde que impede o aprendiz de refletir livremente sobre o objeto de conhecimento. O método é desenvolvido em quatro etapas:
1° passo: “codificação”
            É o momento em que é dado ao aprendiz o direito à vez e à voz. Momento em que o professor dá liberdade do aluno expressar sua opinião, ele vai se sentir importante, motivado a prender e descobrir coisas novas. O professor representa a palavra geradora pelo desenho, gestos, músicas e outros códigos que o alfabetizando já domina.
2º passo: “descodificação”
O docente questiona os alunos para que reflitam sobre a palavra geradora e cresçam criticamente. Apresenta textos em variados suportes, letras de músicas, poesia, rótulos, jornais, revistas, para o estudo de palavras inteiras e de suas letras iniciais, mediais e finais; dominós associando letras a imagens. Até mesmo a representação do alfabeto no quadro e questionando os alunos qual é a letra, mas nunca perguntar as letras em ordem e sim pelo meio e de trás para frente. Pois dessa forma evita que o aluno apenas decore as letras.
3º passo: “Análise e Síntese da Palavra Geradora”
Nessa parte o docente apresenta as famílias silábicas, mostrando que a palavra geradora é formada por pedaços de letras, e que esses pedaços são chamados de sílabas e que cada sílaba da palavra representa a família do nosso alfabeto. Paulo Freire deixa claro que, a representação das famílias silábicas deve ser escrita de forma misturada e não em ordem alfabética, dessa forma o professor sabe se a criança realmente aprendeu ou não as famílias silábicas.
4º passo: “Fixação da Leitura e Escrita”
Faz-se a revisão da análise das sílabas da palavra. Leitura e escrita das palavras compostas na síntese das sílabas; atividades de ditado de palavra e frases; caça-palavras; palavras cruzadas; transposição oral e escrita do dialeto do aluno para o dialeto padrão; interpretação; produção de textos e significados. Pedir para que o aluno escreva a palavra geradora em letra maiúscula, minúscula e manuscrita para que assim ele possa compreender as diferentes formas do nosso alfabeto.
Ao aplicarem-se estas etapas em sala de aula deve-se observar o desenvolvimento de cada aluno, se ele encontra-se no nível pré-silábico, silábico ou alfabético.
ü  Pré-silábico: objetivam explorar a relação som/grafia a fim de auxiliar o educando a fixar que letra representa qual som. Em rótulos de embalagem, por exemplo, pedir para que o aluno aponte onde está o nome NESCAU, qual letra inicia e qual letra termina o nome?
ü  Silábico: Mostrar para os alunos que grafam apenas uma letra para cada sílaba pronunciada que, na maioria das vezes registrarmos apenas uma letra não será suficiente para escrever o que se quer. EX: (GO para GATO).
ü  Alfabético: Aproximação da leitura e da escrita significativas.
Diante do que observamos em nossa vida acadêmica, percebemos que vale a pena mudar e trabalhar de uma forma mais lenta e que se obtenha resultado. Trabalhar com os métodos de Paulo Freire, Emília Ferreiro e Ana Teberosky, possibilita que o aluno tenha um pensamento crítico sobre as coisas e que sejam seres importantes diante da sociedade. Pois, o que importa na educação não é a nota final do ano letivo e sim o conhecimento adquirido por cada aluno.